O banco de investimento considera que os bancos portugueses estão a negociar a forte desconto, face aos seus capitais.
O Citigroup reviu em baixa a sua avaliação para as acções do BES e do BPI, para incorporar as novas estimativas para os bancos. Ainda assim, o banco de investimento destaca que os bancos portugueses transaccionam a forte desconto, face aos seus capitais.
Numa nota de investimento a que oNegócios teve acesso, os analistas Kato Mukuru e Alex Atienza cortaram o preço-alvo para o BES de 2,87 euros, para 2,50 euros, mantendo a recomendação de “comprar”. Já a avaliação para os títulos do BPI desceu de 0,74 euros, para 0,50 euros. A recomendação permaneceu “neutral”.
A casa de investimento justifica os cortes, com as novas estimativas para as instituições. Os “targets” para o BES e o BPI desceram, depois de o Citi ter baixado em 59% as estimativas de resultados para o primeiro. A casa de investimento antecipa perdas de 50% com a exposição à Grécia, no caso do BPI.
“Com base na nossa análise, o BPI tem exposição a dívida soberana de 3,7 mil milhões de euros, com uma maturidade superior a um ano e o incumprimento potencial destas exposições pode ser de 826 milhões de euros”, escrevem os analistas.
Em relação às necessidades de capital da banca portuguesa, avaliadas em 7,8 mil milhões de euros, a casa de investimento realça que “alguns bancos portugueses vão essencialmente ter que abrir as suas estruturas de capital ao Estado, do qual eles precisam de se proteger”, questionando o porquê de obrigar a banca a pagar a factura da troika e depois nacionalizá-la.
Os analistas adiantam ainda que as necessidades de capital variam muito de banco para banco, destacando, porém, que “embora a potencial diluição de capital seja bastante menos pesada para o BES, do que para os seus pares, todos os bancos portugueses estão actualmente a negociar com descontos significativos, face aos seus capitais no segundo trimestre de 2011 (BES 34%; BCP 25%; BPI 22%)”.

